ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE CAVALOS DA RAÇA MANGALARGA

Mangalarga, o Cavalo de Sela Brasileiro

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Tratamento de feridas em equinos



Técnica inovadora desenvolvida pela médica veterinária Maria Inês Gay da Fonseca Allgayer acelera a processo de cicatrização de feridas.

 

As feridas são uma ocorrência muito comum em equinos devido ao comportamento ativo e as reações rápidas da espécie aos estímulos do meio ambiente. Os ferimentos são frequentes no atendimento clínico do médico veterinário e existem várias técnicas e protocolos terapêuticos, todos com a intenção de criar uma rápida cicatrização e de excelente qualidade. Um dos pontos fundamentais no tratamento de feridas em equinos, mas nem sempre levado em consideração, são os custos indiretos ocasionados, tais como:

- Tempo de permanência afastado de competições e do treinamento, o que pode levar a queda de performance;

- Redução do preço de comercialização devido a presença de cicatrizes;

- Restrições de movimentos devido a cicatrizes extensas.

Além dos custos diretos com materiais de curativos, medicamentos e mão de obra por um longo período de recuperação.

Dentre os inúmeros protocolos existentes para promover o reparo e acelerar a cicatrização de feridas, destaca-se a "Técnica dos Três L's", de autoria da médica veterinária Maria Inês Gay da Fonseca Allgayer utilizada nos tratamentos de feridas pela Therapy4Horses, empresa sediada em Purcell, Oklahoma - EUA. O nome da técnica consiste da inicial dos tre^s procedimentos que a caracterizam: Low Friction, Low Level Lasertherapy e Leptospermum scoparium, ou seja, a baixa fricc?a~o com solução atóxica, laserterapia de baixa frequência e pomada a` base de Leptospermum scoparium. A técnica a seguir descrita foi fundamentada em um trabalho voluntário onde a autora aplicou-a em mais de 300 cavalos com ferimentos causados durante um desastre natural nos Estados Unidos em 2013, e desde então é amplamente utilizada em feridas de difícil resolução em equinos.

Técnica dos Três L's em feridas

Após a ocorrência da lesão dá-se início uma sequência de acontecimentos no organismo para que se inicie o reparo daquele tecido lesionado, processo esse dividido em fases que mudam ao longo do tempo e diferem entre si quanto a velocidade de reparação da ferida e a qualidade do novo tecido. Alguns fatores indiretos também podem interferir na cicatrização, tais como: a má nutrição, a contaminação da ferida por micro-organismos, doenças sistêmicas concomitantes ou medicações que possam interferir no reparo tecidual.

 - Baixa Fricção (Low Friction)

A limpeza de baixa fricc?a~o, sem nenhum tipo de debridamento, tem o objetivo de manter a camada superficial da regia~o do ferimento e deve ser feita com soluc?o~es que não causem danos as células novas e que não sejam agressivas ao novo tecido daquele naquele local.

- Laserterapia de baixa potência (Low Level Lasertherapy)

O LASER de baixa potência possui efeito fotobioestimulador, isso significa que a energia de sua luz consegue melhorar a função das células, acelerando o seu metabolismo como um todo.  Os principais efeitos da terapia são a diminuição do processo inflamatório, a proliferação das células que promovem o reparo do tecido, estímulo na formação de novos vasos sanguíneos e aumento da produção de colágeno. Todas essas características auxiliam uma cicatrização mais rápida e bem organizada.

- A pomada a base de Leptospermum scoparium  

O Leptospermum scoparium é uma árvore, nativa da Nova Zelândia, popularmente conhecida como árvore de Manuka. O mel de suas flores é utilizado desde a antiguidade pelos aborígenes para tratar ferimentos, pois tem uma incrível capacidade de cicatrização. Hoje em dia sabe-se que, o que o torna tão diferente do mel de outras plantas é o metilglioxal, um composto químico que tem uma atuação anti-inflamatória e é um potente anti-bacteriano. Os estudos mostram que o mel da arvore de Manuka é capaz de controlar até mesmo as bactérias mais resistentes aos diversos tipos de antibióticos, isso devido ao seu Fator Único de Manuka, a quantidade de metilglioxal que ele possui. Além do fator anti-microbiano a pomada a base de mel do Leptospermum scoparium é capaz de manter o ambiente adequado na ferida em relação a umidade e dessa forma também auxilia a reparação do tecido.

- Técnica dos Três L's

A técnica é iniciada com a limpeza de baixa fricção através do uso de uma gaze úmida com uma solução para limpeza que não seja tóxica para as células, como, por exemplo, solução fisiológica a 0,9%. Deve ser realizada a limpeza da ferida de forma delicada, sem provocar qualquer tipo de debridamento. Em seguida aplica-se o LASER de baixa potência, na dose de um Joule (LASER hélio-neônio, classe IIIb, 500mW, 1 Joule/cm²) em toda a região da ferida, incluindo os bordos e o centro. Após o LASER a pomada a base de Leptospermum scoparium é aplicada sobre a ferida. É de suma importância que a camada do produto seja bastante espessa. Quando a ferida é localizada em membros, cabeça ou uma região possível de receber uma bandagem é muito importante mantê-la fechada. Uma vez feito o curativo o ideal é que ele seja aberto a cada três dias para a aplicação da técnica na ferida. As características da pomada a base de Leptospermum scoparium permitem que a bandagem fique fechada todo esse tempo sem ocorrer uma proliferação bacteriana, desde que a técnica seja realizada de forma fidedigna. Além de acelerar a cicatrização, o fato de se trocar o curativo a cada três/quatro dias minimiza o estresse para o cavalo e diminui os custos do proprietário com os materiais. É importante lembrar que a técnica deve ser realizada e acompanhada por um médico veterinário capacitado para a aplicação da mesma.

 

Autora: Maria Inês Gay da Fonseca Allgayer, M.V Esp.

CRMV/RS 6792

Equine Therapist, Proprietária da Therapy4Horses/USA.

FEI Permitted Treating Veterinarian-BRA

WALT Member

(World Association for LASER Therapy)

AAEP Member                 

(American Association of Equine Practitioners)

Colaboradores:

Iolanda Gea Kassen, M.V .Esp. CRMV/MG 13258

Laura Leandra Halinsk, M.V, CRMV/RS 13337

Malvina Parré, Médica Veterinária UNESP/Btu

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